(Última atualização a 23/02/2026 )
As pérolas têm sido usadas desde a antiguidade como joia e são provavelmente as únicas gemas que não precisaram ser lapidadas, nem polidas para esse efeito. Nos frescos e mosaicos das civilizações mais antigas encontramos imperadores, reis e nobres imortalizados com adornos de pérolas. Conta a lenda que Cleópatra dissolveu em vinagre uma das maiores pérolas conhecidas na altura, no que foi considerado o jantar mais caro da história.
Dependendo do grau de qualidade e do seu tamanho as pérolas podem alcançar um valor muito elevado no mercado. Os atributos mais valorizados nas pérolas são, uma forma preferencialmente esférica, um brilho acetinado e iridiscência natural. Existem pérolas de cores variadas, as mais conhecidas e abundantes são de cor branca, amarelada ou rosácea.
As pérolas de Tahiti são apreciadas pela sua cor escura, cinza, verde, roxo ou até de tons azulados. As pérolas de maior tamanho são conhecidas como as pérolas dos Mares do Sul, normalmente de cor branca, existindo também muita procura pelas de cor amarelo bastante intenso, chamadas “Champagne”.
Uma formação natural extraordinária
Origem
As pérolas são gemas orgânicas de origem animal e processo de criação biológico.
Na realidade são o resultado do
funcionamento de um mecanismo de defesa, existente em algumas espécies de ostras e mexilhões. Quando um corpo estranho entra dentro da concha de um destes animais, origina que este comece a segregar nácar até cobrir completamente esse corpo. Este processo de criar camadas de nácar, vai decorrer ao longo dos anos até que se forma uma pérola.
O processo acima descrito a grosso modo, é a forma natural como as pérolas se desenvolvem. Hoje em dia já quase não se conseguem este tipo de pérolas, sendo extremamente raras e de valor incalculável. As pérolas que habitualmente encontramos à venda nas melhores joalharias são de cultivo.
As pérolas cultivadas seguem o mesmo processo biológico de formação que as naturais. Diferenciando-se somente, pelo facto de o corpo estranho que dá origem ao processo ser introduzido artificialmente dentro da concha. Esta técnica, que é realizada ostra por ostra e de extrema complexidade, foi descoberta em 1913 por Kokichi Mikimoto no Japão.
Composição
As ostras produtoras de pérolas não estão relacionadas com a família das ostras comestíveis, as ostras perlíferas são do género Pinctada.
As camadas de nácar ou madrepérola que se encontram no interior do molusco e formam as pérolas estão compostas de CaCO3, principalmente aragonite e o resto calcite e conchiolina (um tipo de proteína).
Algumas das ostras perlíferas são:
- Pinctada margaritifera
- Pinctada fucata martensii
- Pinctada adiata
- Pinctada maxima
Os mexilhões perlíferos são encontrados em rios e lagos:
- Hyriopsis cumingii
- Hyriopsis schlegelli
Virtudes da Pérola
Existem cinco atributos principais, através dos quais podemos avaliar as virtudes de uma pérola. Nomeadamente, numa pérola devemos ter em consideração, o lustre, a superfície, a forma, a cor e o seu tamanho:
Lustre — O lustre da pérola depende da reflexão, refração e difração da luz nas suas camadas translúcidas. Quanto mais espessa for a madrepérola, mais lustrosa será a pérola, sendo também esta mais duradoura ao longo do tempo.
Superfície — Existem dois fatores que afetam a superfície de uma pérola: as imperfeições e o grão.
As imperfeições causam pequenas irregularidades e estas “marcas de beleza” naturais caracterizam cada pérola como uma criação individual.
O grão refere-se à composição da superfície da pérola e à sua estrutura. Quanto mais compacta for a estrutura da pérola, menos evidente será o seu grão, pois este manifesta-se sob a forma de ligeiras ondulações na superfície da pérola.
A qualidade da superfície da pérola é influenciada pelo número e dimensão das imperfeições e pelo seu grau de visibilidade.

Forma — As pérolas apresentam-se em diferentes formas, a mais cobiçada é a pérola perfeitamente redonda. Outras formas incluem: quase redonda, gota, botão, barroca e oval. Para além destas, existem ainda duas formas adicionais: Circle e Keshi. A Circle apresenta um ou mais anéis sulcados à volta da pérola, enquanto a Keshi é uma pérola cultivada sem núcleo sólido.
Cor — As pérolas existem em diferentes tonalidades, que podem variar consoante a sua origem. De um modo geral, podem ser brancas, rosas, prateadas, creme, castanhas, verdes, azuis, pretas, amarelas, laranja, vermelhas, douradas ou púrpura. As pérolas também podem apresentar um efeito ótico de iridiscencia, o que se traduz na reflexão das cores do arco-íris. Neste caso, conforme o ângulo em que é observada, a pérola tem uma mistura de cores diferente.
Tamanho — Em relação ao tamanho da pérola, este tem uma relação direta com o tempo durante o qual se deu o crescimento. Quanto mais tempo a pérola se encontre em desenvolvimento no interior da ostra/molusco, maior será. Este período de tempo pode variar ser entre quatro a trinta anos, com resultados bem distintos na qualidade final da pérola
Para além da origem e composição da Pérola
As pérolas são portadoras de uma energia vibracional muito especial, que reflete a força do mar onde foram criadas e a sua tendência natural a formar uma esfera. No entanto precisam de cuidados específicos, pois são gemas muito delicadas.
Num próximo artigo abordaremos em detalhe outros pormenores importantes sobre as pérolas, nomeadamente a sua limpeza, cuidados de conservação e propriedades terapêuticas.



